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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Os megaeventos esportivos - uma discussão crítica


Por elaine tavares  - jornalista

Faltando poucos dias para a Copa do Mundo o Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), da Universidade Federal de Santa Catarina, lança o livro "Megaeventos esportivos: suas consequências, impactos e legados para a América Latina", organizado pelo professor Paulo Capela e a jornalista Elaine Tavares. O trabalho, que reúne as conferências realizadas durante a Nona Edição das Jornadas Bolivarianas, evento anual do Instituto, é uma reflexão profunda sobre a política e a lógica dos megaeventos que começaram a se consolidar nos anos 80, tornando o esporte uma mercadoria bastante valiosa no processo de acumulação capitalista. A leitura é indicada para todas as pessoas que procuram ver além do senso comum incensado pela mídia, de que os eventos são promotores de progresso e riqueza. Em certa medida, essa assertiva é uma meia verdade, porque, afinal, os megaeventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, geram muita riqueza, mas é para um pequeno e seleto grupo de empresários, no comando das multinacionais. 

Os debates sobre os megaeventos, realizados em abril de 2013, procuraram abordar os mais variados aspectos do tema, não apenas o jogo em si ou a prática do esporte. No texto de abertura, o professor da UNOESC, Nilso Ouriques, recupera historicamente todo o processo de construção dessa lógica do esporte como empresa, que tem sua guinada para o que hoje conhecemos como megaeventos a partir do conhecido acordo realizado entre a FIFA, recém assumida pelo brasileiro João Havelange, e a empresa Adidas, em 1974. Desde aí, as marcas comerciais passaram a ser associadas visceralmente aos clubes e aos atletas, a tal ponto de, em alguns casos, serem as empresas patrocinadoras as que dirigem o trabalho conforme seus interesses. Nilso ainda mostra como o estado vai sendo sequestrado por essa prática e acaba cedendo também às armadilhas do capital, principalmente aqueles que estão na periferia do sistema capitalista.

O professor Fernando Mascarenhas escreve sobre como foi construída a agenda do Bloco Olímpico para os jogos no Brasil em 2016, a participação do estado brasileiro e a decisiva intrusão do mercado no processo, o que tem ocasionado toda a sorte de mobilizações e lutas, principalmente no Rio de Janeiro. Segundo ele, houve uma aliança entre o governo e a grande burguesia nacional para o fortalecimento do capital privado local, além de o estabelecimento de uma subordinação às entidades proprietárias dos jogos. E, por conta disso, houve um completo distanciamento entre estado e as demandas populares.

O médico equatoriano Jaime Breilh mostra, de maneira cabal, a cara visível e contraditória do caráter predador do esporte negócio, com implicações cruciais sobre a saúde dos atletas. Segundo ele, a sociedade de mercado substituiu a lógica da vida por uma proposta mercantil, agressiva, ligada a acumulação de riqueza para alguns. O esporte deixa então de ser um valor de uso da humanidade para se transformar num valor de troca para os negócios de grandes empresários. Ele mostra ainda como essa lógica se expressa na América do Sul, bem como o rastro de destruição que ela deixa. Dentro do que chama "epidemiologia crítica do esporte", ele argumenta que a prática da atividade física deveria estar voltada para a saúde coletiva e não para acumulação privada de riqueza. Breilh ainda estabelece elementos para pensar uma agenda estratégica que mude o rumo dessa política.

Marcelo Proni, da Unicamp, mostra que a literatura internacional sobre os megaeventos esportivos não comprova que eles sejam propulsores de desenvolvimento econômico para as regiões onde acontecem. Pelo contrário. No geral, esse tipo de evento reforça a dominação política e subordinação econômica típicas do capitalismo contemporâneo.  Ele também mostra como esses eventos vão sendo usados para legitimar os gastos públicos que acabam beneficiando poucos empresários e explica por que a FIFA e o COI fazem tantas exigências. É um texto para desvelar as verdades que a mídia comercial omite. 

O sul-africano Eddie Cottle, autor do livro "Copa do Mundo na África do Sul: um legado para quem", explica, em parceria com Maurício Rombaldi, quais foram as lições da Copa realizada no seu país. Segundo ele, o evento impactou de maneira total as cidades, concentrando despesas de capital e trabalho, mudando a fisionomia dos lugares e mexendo com a vida das populações. Tudo isso para, em curto prazo, sair de cena, deixando um cenário de abandono e destruição. A experiência dos trabalhadores da construção civil na África do Sul é contada, mostrando que, mesmo diante de toda a força do capital, os trabalhadores organizados ainda conseguiram avançar nas suas demandas. Uma leitura imperdível para aqueles que insistem em dizer que os que criticam a realização dos megaeventos no Brasil são contra a festa ou a alegria dos povos. A experiência da África do Sul reverbera e ensina. 

Renato Cosentino, do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro, traz a face perversa e escondida dos megaeventos, explicitando todo o terror que centenas de famílias vivem no Rio de Janeiro, por conta das desocupações forçadas. Ele mostra ainda como o estado do Rio procurou invisibilizar a pobreza em nível internacional ao mesmo tempo em que colocava a capital à venda. Ele revela como se deu o consenso olímpico a partir de uma promessa otimista que procurou envolver toda a nação, embora os lucros sejam apenas para alguns. Cosentino ainda mostra toda a luta que está sendo travada pelas populações atingidas pelas obras da Copa no que diz respeito ao direito à cidade. Uma luta que é ridicularizada, mas que na crueza da sua realidade, precisa se fazer como um imperativo de sobrevivência.  

O jornalista mexicano Maurício Mejía conta a experiência do México com os dois eventos - Copa e Olimpíadas - os quais já sediou. Segundo ele, todas as promessas contidas nas propostas de desenvolvimento não se cumpriram e além de tudo, o esporte no país nunca conseguiu ascender a um patamar em que as populações o assumissem como lazer ou saúde. No México, a população cada dia menos faz esporte, apesar de consumir esporte via televisão. Os eventos serviram para fortalecer governos, para jogos políticos e para o enriquecimento de algumas famílias. Tudo muito pontual.

O professor uruguaio Raumar Giménez comenta que os megaeventos tem sido uma boa ocasião para refinar discursos acadêmicos, mas com poucos efeitos sobre a vida política. Servem para sustentar discursos como cidadania e participação popular, mas acabam não tendo qualquer impacto sobre políticas públicas que visem uma melhoria na qualidade esportiva das gentes. Os eventos são apenas shows, espetacularizados pelos meios de comunicação.

O jornalista Juca Kfouri traz os bastidores do mundo do esporte, as histórias que estão por trás dos discursos, a orgia de gastos na construção dos novos estádios e a mercantilização cada vez maior do futebol. Com sua conhecida ironia, Kfouri produz uma fina crítica sobre todo o processo de construção dos megaeventos no Brasil e o papel da FIFA e do COI, embora não rechace a lógica do esporte como mercadoria. Por conta disso, ele reivindica a necessidade de uma nova classe dirigente para o esporte brasileiro, mais adequada  para pensar o esporte como negócio na indústria do entretenimento. Ele crê que a globalização está aí e não se pode lutar contra ela, embora possa se produzir um choque de gestão que eleve o esporte brasileiro.

Danuza Meneghello e Fábio Pinto discutem a resistência cultural necessária no cenário esportivo brasileiro e citam como exemplo o jogo da capoeira. Uma proposta que se contrapõe totalmente ao modelo de competição e rendimento do esporte-negócio. Defendem a prática de um esporte enraizado na vida real, capaz de integrar e incluir todas as pessoas, afinal, a prática esportiva precisa ser prazer e brincadeira, bem distante, portanto, do mundo dos negócios. 

Nildo Ouriques  discute os megaeventos no âmbito da economia e da política, mostrando o que acontece quando a alegria vira mercadoria. Ele ainda mostra a diferença entre o que seja o orgulho burguês nacional (no geral, incentivado pela mídia) e o nacionalismo revolucionário, que procura pensar o nacional dentro de outra ótica. Também aponta a triste condição colonial que aparece em eventos como esses, concretizada em coisas como a Lei da Copa, por exemplo, com a qual o país se ajoelha diante dos interesses multinacionais. Também busca no conceito de mais-valia ideológica, de Ludovico Silva, refletir sobre como os meios de comunicação se prestam a ideologia capitalista e mostra como não é possível analisar o esporte fora das relações capitalistas.

O livro encerra com o texto de Eddie Cottle, Paulo Capela e André Meirinho, já com uma pesquisa referente aos cartéis da construção civil que estiveram envolvidos na construção dos estádios novos e nas reformas. Uma importante contribuição que mostra, com números e casos reais, aquilo que no campo da teoria foi discutido durante as jornadas. 

Assim, o livro se coloca como uma colcha, que, a partir dos mais variados desenhos, vai se fazendo e mostrando uma importante unidade de análise. O pensamento crítico que pode subsidiar a compreensão do fenômeno dos megaeventos e suas consequências para a vida nacional.  Muitas dessas consequências já se fizeram visíveis nos despejos, na destruição de comunidades inteiras, na mortes de operários, na descaracterização das cidades. Mas, outras tantas ainda estão por vir, depois que passar toda a festa. 

Resta a quem procura ler o mundo com clareza ter lentes claras para ver e não se juntar ao otimismo cego. Se algumas coisas boas podem vir dos megaeventos, não dá para esconder a cabeça no buraco e negar os desastrosos legados que também virão.

O livro pode  ser encomendado ao Iela, ao preço de 20 reais, pelo correio eletrônico: iela@contato.ufsc.br

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A Copa vem aí

Foto: Paquito Masiá

por Elaine Tavares

Desde bem menina gosto de futebol. Era comum acompanhar meu pai, repórter esportivo, aos jogos dos dois clubes que havia em São Borja: Cruzeiro e Internacional. Meu coração pendia irremediavelmente para o Inter. Não sei o motivo. Nunca soube. Apenas amava aquela camisa vermelha brilhando ao sol. Quem pode saber o que nos faz amar algo ou alguém? É coisa que nos toma e não há explicações a dar. Já, em Porto Alegre, era o Grêmio que me tinha. Como entender essa confusão? Impossível. Amor! O rolo só se desfez quando Cruzeiro e Inter se fundiram dando lugar ao São Borja. Fiquei só com o Grêmio. E, assim, o futebol foi encontrando seu lugar na minha vida. A bola rolando, os dribles, os meneios de corpo, as firulas, o voleio, o gol. Nunca me importei com ganhar ou perder. Apenas me encanta aquela correria no quadrado, a arte de dominar a bola.

Há 24 anos vivo em Florianópolis e por força da profissão me vi setorista do Figueirense, escrevendo para o Jornal "O Estado". Em pouco tempo o furacão do estreito já tinha me ganhado, apesar de o Avaí ser azul, como o Grêmio. De novo, o não-sabido, o incompreensível. Importa não. O que vale é aquela alegria que assoma na hora do gol.

Repórter de esporte sempre soube o que estava em jogo no futebol. O espetáculo é uma mercadoria do capital, feito para render lucros a alguns. Também sempre tive muito claro que os mais variados esportes, entre eles o futebol, são, como muito bem aponta o professor Nilso Ouriques, no livro Megaeventos Esportivos, "produtos de transplantes culturais produzidos pelas elites ociosas", em busca de elementos culturais e simbólicos que garantissem riqueza e poder. Tanto que o futebol, introduzido no Brasil pelos ingleses e jesuítas, era um jogo da elite, completamente proibido para os pobres. Igualmente compreendo o papel do Estado na institucionalização do esporte, iniciada em 1941, com os dirigentes políticos do país definindo que confederações e federações poderiam existir. Obviamente um espaço dominado e atravessado pelo jogo do poder. 

Nos anos 50, quando o Brasil se associa definitivamente ao universo dos dois maiores eventos esportivos, as Olimpíadas e a Copa do Mundo, toda essa herança de coronelismo, clientelismo, desmandos e corrupção se fortalece e, desde aí, estamos cada dia mais submetidos à lógica do esporte/espetáculo/mercadoria, sem mudanças no quadro político.

Mas, apesar de tudo isso, a vida mesma se encarrega de colocar sua cunha nos planos das elites. E o futebol, antes proibido aos pobres, ganha as ruas e dos campinhos de várzea começam a brotar craques. Sem poder fazer vistas grossas aos ídolos dos campinhos, os clubes se abrem e incorporam os negros e os jogadores da periferia. Espertamente, se apropriam da beleza criada nas ruas e acabam inventando uma sofisticada forma de escravidão. Em pouco tempo, os jogadores passaram a ser comprados e vendidos como se fossem coisas. Mas, vez em quando, eles subvertem a ordem, que o digam Sócrates, Casagrande, Nelinho, Éder, Albeneir, Renato e tantos outros. É a dialética.

É nessa contradição, entre a arte da rua, com o jogo sendo puro prazer, e o espetáculo montado para uns poucos ganharem dinheiro, que seguimos. Nesse sentido, parece muito importante compreender o caldo onde estamos metidos quando falamos de futebol. Não é só esse espaço de amor intraduzível que nos toma de paixão. É também campo de luta de classe e de confrontação com o sistema capitalista que oprime e exclui. 

Assim, por compreender todo o jogo político e de poder que se mistura ao esporte, é que fiz coro ao grito de "não vai ter Copa" que tomou o país quando começaram as obras faraônicas e inúteis dos estádios novos, financiadas com dinheiro público para que meia dúzia de empresários tenham lucros exorbitantes. Porque, além de o governo permitir que poucos encham os bolsos, ainda é responsável por toda a sorte de destruição da vida que advém dessas. Mortes de operários, remoções forçadas de milhares de famílias, gente que tem suas casas destruídas, que não têm para onde correr, que não recebe uma indenização justa, que não tem chance de discutir uma opção. Tudo feito de forma autoritária e impiedosa, porque é da natureza do sistema capitalista não se importar nenhum pouco com aqueles que explora. Não são pessoas, são números, cifras, entraves, coisas, que podem ser removidas ou eliminadas. Tanto faz.

Não se trata de ser oposição cega à Dilma, à Lula ou ao PT, e muito menos de atuar na lógica da direita - que faria exatamente a mesma coisa que hoje faz o governo do PT. É uma posição clara diante do que representa para a maioria das gentes essa "festa do futebol". A festa mesmo será apenas para muito poucos. Os turistas que podem pagar os preços exorbitantes dos ingressos, as grandes redes de hotéis e restaurantes e principalmente as grandes empresas transnacionais que "patrocinam" o evento. Afinal, por força de lei, apenas os seus produtos poderão ser comercializados. Nem mesmo os ambulantes, que acabam pegando carona nos grandes eventos, com seus badulaques falsificados, poderão comer as migalhas desse banquete. Conforme a Lei da Copa, se forem pegos vendendo coisas nas proximidades dos estádios, serão presos. 

Sempre haverá aqueles que dirão: "melhor, não teremos pobres enchendo o saco na entrada dos estádios". Mas, fatalmente, esses "pobres" saltarão nas suas caras quando menos esperarem, porque afinal, os estádios podem ser uma bolha protegida, mas a vida não é. E a violência que hoje se mostra quase endêmica não brota do nada. Ela é fruto do processo de exclusão e desumanização promovido pelo capital. Sabe-se que há uma camada até significativa da população que acredita piamente nas benesses que a Copa vai trazer. Confia nas mensagens de propaganda sobre melhorias nos transportes ou em outras questões estruturais. Mas, aqueles que sabem, que conhecem a raiz dos eventos e sua origem, não podem dar-se ao luxo do engano, ou da visão ingênua. Por isso dizem "não vai ter Copa".

É certo que os movimentos contrários ao evento não lograram vencer a batalha de ideias, afinal, a ideologia vomitada pelos meios de comunicação acabou prevalecendo. Assim, é certo também que os jogos vão acontecer, ainda que certamente cercados de protestos, lutas, prisões, violências, como soe acontecer quando o poder decide solapar a crítica. Porque a responsabilidade daqueles que sabem assoma, a despeito das ameaças de, inclusive, enquadrar os que ousarem lutar em lei de segurança nacional, como terrorista.

Então, para aqueles que, sem argumento, preferem enxovalhar os que lutam com comentários do tipo: "são contra a Copa, mas vão ver os jogos", "são do contra, mas vão torcer para o Brasil", tenho a obrigação de dizer que precisam se informar melhor sobre o tema. Ser contra os gastos públicos exagerados, contra o domínio das multinacionais, contra o evento caça níquel, contra os novos senhores de escravos, ou contra os figurões da Fifa, não tira de nós o amor que constituímos pela arte do futebol. Uma coisa não tem nada a ver com a outra e só usa esse tipo de argumento quem não quer ver a realidade.

O esporte, seja ele o futebol, ou outro qualquer, está para além dos jogos vorazes do capital. A alegria do jogo, a festa dos corpos brincantes ultrapassa a dominação a qual os cartolas e políticos insistem em impor. E desses corpos em festa sempre há de escapar a flor deliciosa do prazer que se esconde no drible perfeito,  no gol de placa. E, nessa hora, vamos vibrar, sim. A diferença é que a gente sabe muito bem o que tudo aquilo significa, qual aparato está montado e a quem serve, em última instância.

Nos dias da Copa vamos ver, sem dúvidas, toda essa nossa gente sofrida, excluída do banquete, espremida em frente às lojas que apresentarem grandes televisores, vibrando pela seleção do Brasil. Mas, não se iludam. Mesmo aqueles que não sabem, na sua pureza, vibram pela beleza do jogo. E, apesar de estarem mergulhados até o pescoço na armadilha do capital, haverão de encontrar - alguns - o caminho de saída. A Copa é só mais uma batalha ideológica do  sistema que nos oprime. Outras virão. Seguiremos lutando, engordando os batalhões...

terça-feira, 22 de abril de 2014

À caminho da Copa

O documentário "A Caminho da Copa", desenvolvido pelo Ponto de Mídia Livre Pólis Digital, aborda a diversidade de opiniões a respeito dos impactos, positivos e negativos, da preparação dos megaeventos no cotidiano das principais cidades brasileiras. Raquel Rolnik, Carlos Vainer, Juca Kfouri, Toni Sando, Vicente Cândido e moradores de São Paulo e Rio de Janeiro atingidos por obras urbanas ligadas aos eventos da Copa do Mundo e Olimpíadas são entrevistados no filme.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Brasil e a Copa

Conferência do jornalista Juca Kfouri, durante as Jornadas Bolivarianas, evento anual do Instituto de Estudos Latino-Americanos. Nela, ele faz uma dura análise da situação do esporte brasileiro, da cartolagem e da Copa do Mundo.